Desta vez, fiquei mesmo impressionada. Já li muitas sondagens sobre sexo mas nenhuma me deixou boquiaberta e com os olhos bem esbugalhados como esta. A surpresa não veio com os números. Nalguns casos, muito exagerados por excesso, para dar a ideia de que somos uns gandas malucos no que ao sexo diz respeito, ou por defeito, porque apesar de sermos uns gandas malucos, somos também muito envergonhados e cheios de preconceitos. Non sense, digo. A busílis da questão está nos termos utilizados, o que me levam a uma conclusão óbvia. A dita sondagem, acompanhada de bonequinhos fofinhos, referia-se aos tipos de relações sexuais desta forma: "sexo de homem+boca de mulher", "boca de homem+sexo de mulher", "sexo de homem+ânus da mulher". Tal e qual. É então que eu pergunto: somos assim tão estupidamente ignorantes e cheios de falsos pudores para agora dizer que o sexo oral é boca no sexo e sexo na boca e o sexo anal é o sexo no ânus? Vejamos o impacto na prática.
"Querida, hoje estou particularmente inspirado. De tal forma, que pensei em fazermos um boca de homem no sexo de mulher. O que achas?"
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Vou abrir a caixa de Pandora - Ensaio sobre a letra L
De todas as letras do abecedário, esta é a que me provoca calafrios, a que me faz ter pesadelos com “ÉLES” gigantes a correr atrás de mim, a que me faz tremer só de pensar em dizê-la, mesmo que disfarçada entre outras companheiras. Eu explico. Não digo os éles, o mesmo é dizer que digo éwes. Não sempre, mas frequentemente, graças a algum esforço pessoal. E se vos disser que descobri esta minha pequena deficiência aos 15 anos, sendo que toda a minha família já o sabia e tendo em conta que já tenho outros tantos anos em cima, apercebem-se da gravidade da situação? Ou não? Muito bem. Eu explico outra vez.
Começo por um exemplo básico. Uma das minhas canções de infância e que fazia parte das brincadeiras. “Que winda fawua que wá wá vem, É uma fawua que vem de Bewém”. Isto vezes e vezes sem conta, eu, na minha inocência e alegria típicas da idade, sem reparar no porquê daqueles sorrisos estranhos (a verdade é que sempre fui uma miúda simpática e querida, e talvez por isso, se rissem daquela forma). Mas ali, o problema ainda estava disfarçado entre o coro de vozes.
Mais perto do momento da descoberta, em casa, para mais um almoço de família. “Ah, wuwas recheadas!! As minhas prediwectas. Wogo, quando formos a Wisboa ver as wuzes de Natawe, podemos ir à Suíça comer um daquewes bowos de chocowate?” Novamente, sorrisos estranhos.
Dramatizemos um pouco mais. Depois de apanhada nas teias do abecedário, descubro que um colega de turma sofre de semelhante maleita. Transcrevo um diálogo.
- “Owá”
- “Owá!”
- “Já fawaste com a stora Wuísa por causa do teste de Ingwês? Vais fazer segunda chamada?”
- “Sim, fawei. Ewa pediu-me para escrever um texto sobre Wondres.”
- “Boa. Wogo vais ao wuau da Wiwiana e do Fiwipe?”
- “Tás mawuca? Amanhã tenho teste.”
Os anos passaram e, verdade seja dita, habituei-me. Sem dramas, mas com muitas piadinhas pelo meio. Pudera. Os meus três últimos locais de trabalho tinham nomes com éwes, alguns fáceis de contornar, outros nem por isso. Olhando à volta, até acho que isto de não dizer os éwes dá um certo charme. As pessoas acham fofinho. E até já se generalizou na praça pública (aqui está uma daquelas lixadas de pronunciar). Sílvia Alberto, Fernando Seara, o meu gestor de conta… são alguns exemplos de companheiros de armas nesta luta diária do abecedário malvado.
Ah, querem saber como descobri? Depois de alguns anos a ser sempre a voluntária para ler os textos nas aulas, uma das minhas professoras chama-me e diz-me: “Temos de ter uma conversa…”
Começo por um exemplo básico. Uma das minhas canções de infância e que fazia parte das brincadeiras. “Que winda fawua que wá wá vem, É uma fawua que vem de Bewém”. Isto vezes e vezes sem conta, eu, na minha inocência e alegria típicas da idade, sem reparar no porquê daqueles sorrisos estranhos (a verdade é que sempre fui uma miúda simpática e querida, e talvez por isso, se rissem daquela forma). Mas ali, o problema ainda estava disfarçado entre o coro de vozes.
Mais perto do momento da descoberta, em casa, para mais um almoço de família. “Ah, wuwas recheadas!! As minhas prediwectas. Wogo, quando formos a Wisboa ver as wuzes de Natawe, podemos ir à Suíça comer um daquewes bowos de chocowate?” Novamente, sorrisos estranhos.
Dramatizemos um pouco mais. Depois de apanhada nas teias do abecedário, descubro que um colega de turma sofre de semelhante maleita. Transcrevo um diálogo.
- “Owá”
- “Owá!”
- “Já fawaste com a stora Wuísa por causa do teste de Ingwês? Vais fazer segunda chamada?”
- “Sim, fawei. Ewa pediu-me para escrever um texto sobre Wondres.”
- “Boa. Wogo vais ao wuau da Wiwiana e do Fiwipe?”
- “Tás mawuca? Amanhã tenho teste.”
Os anos passaram e, verdade seja dita, habituei-me. Sem dramas, mas com muitas piadinhas pelo meio. Pudera. Os meus três últimos locais de trabalho tinham nomes com éwes, alguns fáceis de contornar, outros nem por isso. Olhando à volta, até acho que isto de não dizer os éwes dá um certo charme. As pessoas acham fofinho. E até já se generalizou na praça pública (aqui está uma daquelas lixadas de pronunciar). Sílvia Alberto, Fernando Seara, o meu gestor de conta… são alguns exemplos de companheiros de armas nesta luta diária do abecedário malvado.
Ah, querem saber como descobri? Depois de alguns anos a ser sempre a voluntária para ler os textos nas aulas, uma das minhas professoras chama-me e diz-me: “Temos de ter uma conversa…”
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
A velha questão do ovo e da galinha
A história repete-se aqui como em todos os outros sítios...
Se não fosse a publicidade, não havia dinheiro para pagar os ordenados dos jornalistas.
Se não fossem os artigos dos jornalistas a compor a revista, a publicidade não tinha revista para vender.
Se não fosse a publicidade, não havia dinheiro para pagar os ordenados dos jornalistas.
Se não fossem os artigos dos jornalistas a compor a revista, a publicidade não tinha revista para vender.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Intranet e Internet - Ensaio
A vida é feita de opções. E eu optei por fazer uma queixa electrónica em vez de ir a um qualquer posto da PSP ou GNR fazê-la presencialmente. Fiz mal... Não porque o site para o efeito (qualquer coisa como http://queixaselectronicas.mai.gov.pt) seja complicado ou pouco claro. É chato, confesso, ter de escrever pormenorizadamente a dita queixa, que poderá ser de violência doméstica (será que aquela palmadinha na outra noite se enquadra?), burla, burla no trabalho, e etc. Feita a queixa, e na falta de um certo aparelhómetro para introduzir o CU e do próprio CU, restou-me optar pela identificação presencial num qualquer posto da GNR ou PSP. E aqui fiz bem, ainda que ao início me parecesse uma má escolha. Dirigi-me ao posto da GNR da Malveira, um edifício de arquitectura moderna, de linhas rectas e ar clean. Lá dentro, e debaixo do olhar atento dos dois guardas, digo esta frase, que lhes caiu no goto como um golo de aguardente caseira: "Bom dia (e um rasgado sorriso), apresentei uma queixa electrónica e venho fazer a identificação presencial obrigatória." Reacção: olhos esbugalhados, boca semi-aberta, coçar a cabeça... "Ó menina... queixa electrónica...?", "Sim, pela internet, através do site do MAI e depois dizem-nos que podemos fazer a identificação presencial em qualquer posto." (Silêncio, com os olhos bem abertos) "Sabe, nós aqui não sabemos nada disso, nem internet temos, sabe? Talvez venhamos a ter intranet daqui a uns tempos, mas não temos nada disso."
Seguiram-se uma série de telefonemas para o comando regional, depois para o comando distrital e até para o comando nacional, isto, claro, depois de uma conversa com o responsável do posto. A mesma justificação: "Sabe, nós aqui nem temos internet, talvez intranet daqui a uns tempos..."
Telefonemas, questões, coçadelas de cabeça e minutos depois, alguém se lembra que recebeu um fax com qualquer coisa disso das queixas electrónicas. E lá foi buscar. Voilá!!!!! Fez-se luz. O dito fax explicava todo o procedimento a tomar perante uma utente com uma queixa electrónica. Afixaram-no para conhecimento geral. E abriram a caixa de Pandora... O guarda mais novo, com ar de pastor e faces ruborizadas, deu a dica ao guarda mais velho, daqueles com ar de velha guarda, pequenino, velhaco e que não perdoa uma multa.
"Já viu aquilo das queixas electrónicas, através da Internet..."
"Hein?? Eu na quero cá saber de nada disso, agora queixas pela internet..."
Seguiram-se uma série de telefonemas para o comando regional, depois para o comando distrital e até para o comando nacional, isto, claro, depois de uma conversa com o responsável do posto. A mesma justificação: "Sabe, nós aqui nem temos internet, talvez intranet daqui a uns tempos..."
Telefonemas, questões, coçadelas de cabeça e minutos depois, alguém se lembra que recebeu um fax com qualquer coisa disso das queixas electrónicas. E lá foi buscar. Voilá!!!!! Fez-se luz. O dito fax explicava todo o procedimento a tomar perante uma utente com uma queixa electrónica. Afixaram-no para conhecimento geral. E abriram a caixa de Pandora... O guarda mais novo, com ar de pastor e faces ruborizadas, deu a dica ao guarda mais velho, daqueles com ar de velha guarda, pequenino, velhaco e que não perdoa uma multa.
"Já viu aquilo das queixas electrónicas, através da Internet..."
"Hein?? Eu na quero cá saber de nada disso, agora queixas pela internet..."
Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Notas de uma desempregada... recente... por enquanto
É a primeira vez que o digo assim, aqui, publicamente. Estou desempregada. Porquê só agora? Porque ainda não tive tempo para mais nada, esta é a verdade. Por entre as burocracias normais (centro de emprego, segurança social) há que juntar as burocracias com que não contávamos. Exemplifico. Andar atrás do patrão para pagar o que deve. Informar-me do que posso fazer para receber o que o patrão não quer pagar. Responder à Segurança Social que me informa que, por causa do meu ex-patrão pelintra, não tenho direito ao subsídio de desemprego. Constatar que é preciso muita perseverança para enfrentar as questões burocráticas... Percebo agora porque muita gente deixa passar as coisas. No meio disto tudo, não houve um entidade pública a quem me dirigisse que me dissesse: "Sim senhora, vamos já tratar disto". Não... é o tem de ir ali, tem de escrever para acolá, tem de vir para a semana... Não é fácil...
Assim como não é fácil lidar com a nova condição social: a de desempregada. É um rótulo e parece que o trazemos bem colado na testa. É a roupa que não brilha. É o ânimo desanimado. É a maquilhagem que já não faz milagres. Parece que tudo corre mal. Vistos pelos outros, somos uns coitados, porque aqueles ainda têm emprego. Mal ou bem, recebem qualquer coisita e não se pode exigir muito, qu'isto não está para essas coisas. Enganam-se. Agora, mais do que nunca, sei o que não quero. Não vou compactuar com aqueles que se aproveitam da crise, para oferecer empregos miseráveis, mal pagos e onde a palavra exploração é aceite por ambas as partes. Mesmo sem portas ou janelas abertas, não nos precipitemos.
Bom, não pensem que me estou a armar em heroína. Tenho as minhas quebras. Quando, por exemplo, vou a uma entrevista e me dizem que tenho currículo a mais para o que querem. Ou, pelo contrário, não tenho a experiência necessária.
Não, não é fácil. E esta chuva não ajuda...
Espero que o sol brilhe algures...
Assim como não é fácil lidar com a nova condição social: a de desempregada. É um rótulo e parece que o trazemos bem colado na testa. É a roupa que não brilha. É o ânimo desanimado. É a maquilhagem que já não faz milagres. Parece que tudo corre mal. Vistos pelos outros, somos uns coitados, porque aqueles ainda têm emprego. Mal ou bem, recebem qualquer coisita e não se pode exigir muito, qu'isto não está para essas coisas. Enganam-se. Agora, mais do que nunca, sei o que não quero. Não vou compactuar com aqueles que se aproveitam da crise, para oferecer empregos miseráveis, mal pagos e onde a palavra exploração é aceite por ambas as partes. Mesmo sem portas ou janelas abertas, não nos precipitemos.
Bom, não pensem que me estou a armar em heroína. Tenho as minhas quebras. Quando, por exemplo, vou a uma entrevista e me dizem que tenho currículo a mais para o que querem. Ou, pelo contrário, não tenho a experiência necessária.
Não, não é fácil. E esta chuva não ajuda...
Espero que o sol brilhe algures...
Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Coisas de gaja II
Estou farta de estar na penumbra. Hoje, sexta-feira, decidi que vou passar um fim-de-semana (a começar já hoje) em alta. Deslumbrante, com o sorriso que me identifica bem estampado na cara. Vou andar de saltos altos, porque pareço mais elegante. Vou vestir roupa sofisticada (não que nos outros dias não ande super trendy) e adoptar o estilo city cool chic. Vou ver gente gira, a começar por mim e pelo meu gajo. Vou beber champanhe docinho até não poder mais. Vou passar a noite num hotel de 5 estrelas no centro da cidade e sentir-me com forças para tudo.
Posto isto, bom fim-de-semana.
Posto isto, bom fim-de-semana.
Terça-feira, 24 de Março de 2009
Estou cansada...
... As notícias não são animadoras. E assim, é difícil manter o espírito positivo.
Estou ansiosa... e desanimada ao mesmo tempo.
É o calor que não vem.
É a comida que não sabe bem.
É a roupa que não assenta bem.
É ele que nunca mais vem.
É a ausência do cheiro a pele.
É o dinheiro que não cresce.
É a dor de cabeça que não passa.
E o estômago que reclama sem fome.
É a noite que não traz bons sonhos. Ou apenas (e chegava) um sono descansado.
É a gente estúpida que me aparece à frente.
É a música que não muda.
E as palavras que me são arrancadas, a golpes de faca.
Só quero ir para casa. Olhar para os olhos do meu Bono e, por breves momentos, esquecer tudo o que não interessa.
